O lugar da Terra onde nunca choveu: o deserto mais seco do planeta
Descubra por que o Deserto do Atacama, no Chile, é considerado o lugar mais seco da Terra e como algumas áreas passaram séculos sem registrar uma única chuva.
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Quando pensamos em desertos, normalmente imaginamos um lugar quente, coberto por dunas intermináveis e onde a chuva é apenas um evento raro. Mas existe um lugar na Terra que leva essa ideia ao extremo: uma região onde algumas áreas passaram tanto tempo sem registrar precipitação que os cientistas ainda discutem há quantos séculos certas partes permaneceram completamente secas.
Esse lugar fica na América do Sul, no norte do Chile, e é conhecido como Deserto do Atacama, considerado o deserto não polar mais seco do planeta. Em determinados pontos, especialmente em áreas isoladas do interior, há registros de décadas inteiras sem chuva mensurável, e estudos indicam que algumas regiões podem ter passado centenas de anos praticamente sem qualquer precipitação significativa.
O mais curioso é que o Atacama não é apenas um deserto extremamente árido. Ele possui uma aparência quase extraterrestre, com montanhas avermelhadas, planícies cobertas por sal, formações rochosas esculpidas pelo vento e um céu tão limpo que parece impossível encontrar uma única nuvem. Em muitos momentos, a paisagem lembra mais a superfície de outro planeta do que qualquer lugar da Terra.
A explicação para tamanha secura está em uma combinação rara de fatores naturais. De um lado está a Cordilheira dos Andes, que impede que a umidade da Amazônia atravesse o continente. Do outro lado está a Cordilheira da Costa, que dificulta a entrada de massas úmidas vindas do Oceano Pacífico. Como se isso não bastasse, a Corrente de Humboldt, uma corrente marítima fria que percorre a costa chilena, reduz a evaporação da água do oceano e diminui ainda mais a formação de nuvens de chuva.
Em algumas partes do deserto, a média anual de precipitação é inferior a 1 milímetro por ano. Para ter uma ideia, muitas cidades brasileiras recebem mais chuva em um único dia do que certas regiões do Atacama registram ao longo de vários anos.
Essa condição extrema transformou o deserto em um dos lugares mais importantes do mundo para a ciência. A atmosfera é tão seca e transparente que oferece condições excepcionais para observar o universo. Não por acaso, o Atacama abriga alguns dos maiores observatórios astronômicos do planeta, utilizados por pesquisadores de diversos países para estudar galáxias, estrelas e fenômenos cósmicos extremamente distantes.
O deserto também se tornou um laboratório natural para pesquisas sobre Marte. Seu solo apresenta características semelhantes às encontradas em determinadas regiões do planeta vermelho, e por isso equipamentos, robôs e instrumentos destinados a futuras missões espaciais costumam ser testados ali antes de serem enviados ao espaço.
Mesmo parecendo completamente sem vida, o Atacama consegue surpreender. Existem microrganismos que vivem escondidos dentro das rochas, onde conseguem aproveitar pequenas quantidades de umidade. Em anos muito raros, quando ocorre alguma chuva incomum, partes do deserto se transformam em um espetáculo conhecido como “deserto florido”, quando milhares de flores cobrem temporariamente uma paisagem que normalmente parece totalmente estéril.
Outro fenômeno curioso acontece próximo ao litoral. Apesar da ausência quase total de chuva, uma neblina chamada camanchaca aparece com frequência em determinadas áreas. Essa névoa fornece pequenas quantidades de água que sustentam plantas e animais adaptados às condições mais extremas do planeta, e em alguns locais redes especiais são utilizadas para capturar essa umidade e transformá-la em água utilizável.
O Deserto do Atacama é um lembrete de que a Terra ainda guarda lugares capazes de desafiar nossa imaginação. Em um planeta coberto por oceanos e marcado por tempestades, existe uma região onde a chuva se tornou um acontecimento tão raro que pode passar gerações inteiras sem acontecer. Talvez seja exatamente por isso que o Atacama continua fascinando cientistas, exploradores e viajantes de todo o mundo: porque ele mostra que alguns dos cenários mais extraordinários do planeta estão muito mais próximos de nós do que costumamos imaginar.
