O jogo que quase faliu sua própria empresa e acabou virando um clássico
Descubra como Final Fantasy nasceu durante a pior crise da Square e acabou se tornando uma das franquias mais importantes da história dos videogames.
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Em 1987, uma pequena empresa japonesa estava vivendo seus últimos momentos. As vendas iam mal, os projetos não davam retorno e a possibilidade de fechar as portas parecia cada vez mais real. Foi nesse cenário que surgiu um jogo criado como uma espécie de despedida. O nome escolhido dizia tudo: Final Fantasy.
O que deveria ser o último projeto da desenvolvedora Square acabou se transformando em um dos maiores fenômenos da história dos videogames. Décadas depois, a série já vendeu centenas de milhões de cópias, influenciou praticamente todo o gênero de RPG e ajudou a moldar a indústria como conhecemos hoje.
A crise que quase acabou com a Square
No meio da década de 1980, a Square era uma empresa pequena e sem grande destaque no mercado japonês. Seus jogos não conseguiam competir com os grandes sucessos da época, e a situação financeira era preocupante. Muitos funcionários acreditavam que a empresa poderia encerrar suas atividades em pouco tempo.
Hironobu Sakaguchi, um jovem desenvolvedor da empresa, também pensava em abandonar a carreira nos games. Sem perspectivas, decidiu criar um projeto que representasse sua última tentativa de sucesso antes de seguir outro caminho profissional.
Esse projeto recebeu o nome Final Fantasy, justamente porque seria, em teoria, a “fantasia final” da empresa e de seu criador.
Um lançamento que mudou tudo
Lançado para o Nintendo Entertainment System (NES), Final Fantasy surpreendeu o mercado japonês. O jogo trazia um sistema de combate por turnos refinado, personagens marcantes, exploração de um vasto mundo e uma narrativa muito mais elaborada do que era comum nos videogames da época.
O resultado foi imediato. O jogo vendeu muito acima das expectativas e gerou receita suficiente para estabilizar a situação financeira da Square. Em vez de fechar as portas, a empresa ganhou uma nova oportunidade de crescer.
Aquele projeto que nasceu como uma despedida acabou se tornando o início de uma franquia gigantesca.
O nascimento de uma lenda
Depois do sucesso do primeiro título, vieram sequências cada vez mais ambiciosas. Final Fantasy IV aprofundou a narrativa, Final Fantasy VI apresentou personagens memoráveis, e Final Fantasy VII, lançado em 1997, revolucionou os RPGs ao utilizar gráficos em 3D e cenas cinematográficas que impressionaram jogadores do mundo inteiro.
Foi especialmente com Final Fantasy VII que a série deixou de ser um sucesso apenas no Japão e passou a dominar o mercado internacional. Milhões de pessoas tiveram seu primeiro contato com RPGs graças ao jogo, que até hoje é considerado um dos melhores já produzidos.
A franquia que salvou uma empresa
Ao longo das décadas, Final Fantasy vendeu mais de 200 milhões de cópias em todo o mundo, considerando jogos principais, derivados e relançamentos. A Square cresceu tanto que, anos depois, se fundiu com a Enix, formando a atual Square Enix, uma das maiores empresas de entretenimento do planeta.
É difícil encontrar outra franquia cuja origem esteja tão ligada à sobrevivência de sua criadora. Sem o sucesso do primeiro Final Fantasy, a história da Square provavelmente teria sido muito diferente.
Quando um fracasso esperado vira um clássico eterno
A ironia é que o nome “Final Fantasy” nunca deixou de fazer sentido. Ele continua lembrando o momento em que uma empresa quase desapareceu e decidiu apostar tudo em um último projeto. Em vez de representar um fim, aquele jogo marcou um recomeço.
Mais de três décadas depois, novos títulos da série ainda são lançados, remakes continuam atraindo milhões de jogadores e personagens como Cloud, Sephiroth, Tifa e Terra permanecem entre os mais reconhecidos dos videogames.
Poucos jogos podem dizer que salvaram uma empresa inteira. Final Fantasy não apenas conseguiu isso, como também entrou para a história como um dos maiores clássicos de todos os tempos.
